Tendinite atinge uma a cada 100 pessoas: Médico dá dicas para aliviar as dores

tendinite

Tendinite é algo comum. De acordo com a organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada 100 pessoas sofre com o problema.

Entende-se por isso a inflamação do tendão, tecido flexível e resistente que conecta um músculo ao osso, decorrente de uma sobrecarga.

Tendões e músculos trabalham juntos, exercendo uma força de tração. A inflamação, portanto, além de provocar dor, também pode comprometer a mobilidade e o ganho de força, importante em praticamente todas as atividades realizadas ao longo do dia.

O corpo possui mais de quatro mil tendões. E a maior parte das causas de tendinite está relacionada à falta de fortalecimento e alongamento da musculatura, às posturas e gestuais errados, aliados, por exemplo, ao uso excessivo de computadores e até de celulares. Não sem motivo, os tendões dos punhos e antebraços são os mais afetados.

A tendinite começa com uma dor localizada, que vai se tornando intensa, e, aos poucos, acaba afetando os músculos que ficam igualmente doloridos.

“A prevenção começa pela prática frequente de alguma atividade física, visando, principalmente o fortalecimento e alongamento de todas as regiões do corpo, para que os movimentos em geral sejam realizados de maneia confortável, digamos assim”, afirma Luiza Fellet, profissional de educação física responsável pelo Studio Personalizzare Vip Training, de Piracicaba (SP), que desvenda mais algumas dúvidas sobre a questão:

Exercícios físicos

Sim, atividade física em geral é imprescindível na prevenção da tendinite e pode ser importante no seu tratamento.

O alongamento e os exercícios que possam proporcionar o fortalecimento gradativo da musculatura, mantendo o equilíbrio na sustentação das articulações, como é o caso da musculação, formam a dobradinha perfeita para lidar com o problema.

É importante salientar que o aumento gradativo de carga na musculação fortalece o tendão na fase excêntrica do exercício, ou seja, quando se alonga a musculatura (na descida de pernas no leg press ou dos braços no desenvolvimento com halteres, por exemplo).

E também em exercícios isométricos, quando se contrai a musculatura em uma determinada postura, sem movimento. Em termos de tratamento, o ideal é utilizar os exercícios com pesos quando a tendinite estiver no começo, afetando pouco a articulação.

Em episódios de inflamação avançada, que provoca dores intensas e crônicas, é necessário evitar cargas elevadas e exercícios de alto impacto, como a corrida (se a região afetada for o joelho, por exemplo).

“Em outras situações, considera-se, ainda, o fato de os exercícios liberarem endorfina, substância responsável pelo relaxamento muscular e alívio da dor, o que agrega bastante ao tratamento”, diz Luiza.

Alerta geral sobre tendinite

Atividade física mal feita ou orientada também pode provocar tendinite. Na musculação, por exemplo, quando os exercícios não são executados corretamente ou há um aumento de carga em um período muito curto, não permitindo a adaptação do músculo ao estímulo.

Ou, ainda, quando não há tempo hábil de descanso para que a musculatura e tendão se recuperem do esforço ao qual foram submetidos. Também é risco certo de tendinite promover desequilíbrios musculares aos exercitarmos mais determinados músculos em detrimento a outros.

“Se pensarmos, por exemplo, na estabilidade dos joelhos como forma de também evitar tendinite nessa região, é preciso trabalhar igualmente todos músculos relacionados a ela, inclusive os mais inusitados nesse ponto, como os do quadril e glúteos”, explica Luiza.

Passo a passo

O diagnóstico da tendinite deve ser feito por um médico, baseado no histórico do paciente, exames físicos e de imagem. Já o tratamento pode passar por uma equipe de profissionais que também inclui fisioterapeuta e educador físico, dependendo do grau do problema.

É importante, ainda, diagnosticar a causa da tendinite, como desequilíbrio muscular, posturas, gestuais ou movimentos errados no dia a dia e na prática de exercícios físicos, no sentido de evitar a piora do problema ou futuras crises.

Casos mais graves podem pedir a imobilização da região afetada e repouso por determinado período para evitar que o problema torne-se crônico ou leve à ruptura do tendão, o que pede cirurgia. Algo raro, mas que pode ocorrer.

O uso de medicamentos (analgésico ou antiinflamatório), se for necessário, deve ser, evidentemente, prescrito e orientado por um médico.

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