Psicóloga comenta o tabagismo sob o ponto de vista emocional e psicológico

A nicotina, um dos elementos que compõe um cigarro, chega ao cérebro cerca de dez segundos depois de ingerido, e essa substância alimenta os neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer. Desse modo, ela produz alterações no sistema nervoso central, alteram o estado emocional das pessoas e promovem sentimentos de bem estar, tranquilidade, o que gera uma certa dependência.

“Quando estamos em um estado emocional afetado por estresse ou situações adversas, buscamos sempre um apoio, uma espécie de muleta que nos oferta mais prazer e serenidade. No que se refere à psique, o fumante utiliza o cigarro para proporcionar a si um alívio, uma anestesia contra as emoções negativas”, comenta a psicóloga e especialista em Terapia Comportamental Cognitiva (TCC), Lala Fonseca.

Na visão da terapeuta, o fumante acaba tendo que lidar com uma realidade distorcida e se fica sem o tabaco, isso promove um sofrimento psíquico mais acentuado. “O cigarro funciona como uma espécie de automedicação repleta de efeitos adversos e contraindicações. Além disso, o tabagismo contribui na formação deste círculo vicioso, isto é, toda a vez que passamos por cargas emocionais pesadas lançamos mão deste artifício para driblar nosso estresse”, salienta Lala.

Outro viés importante no que se refere à prática de fumar é comportamental, ou seja, o hábito traz uma sensação familiar e social extremamente agradável, um momento de descontração.

Com relação aos usuários que deixam de fumar, a psicóloga tece algumas ponderações, “nesse momento, a nicotina vai sendo eliminada do organismo. Com isso, é frequente e possível que as pessoas tenham mais crises de ansiedade.

Além disso, o efeito de parar com vício pode desencadear outros hábitos como compulsão alimentar ou maior ingestão de bebidas alcoólicas para tentarem conter a ansiedade. A psicoterapia assim entra como uma ferramenta importante para lidar com estas situações”, conclui a terapeuta.

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