Tratamento inadequado da insuficiência cardíaca leva a óbitos precoces

A insuficiência cardíaca (IC), caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue oxigenado suficiente para todo o corpo, atinge 2 milhões de brasileiros. Trata-se de uma doença crônica que anualmente é diagnosticada em mais 240 mil pessoas no país. Sua prevalência aumenta significativamente após os 65 anos de idade, chegando a atingir 30% da população com mais de 85 anos. Em estudo recém-publicado, autores encontraram queda de 2,3% na taxa de mortalidade por IC no Brasil. Em oposição às demais regiões, no Sul essa taxa sofreu aumento de 2,9%. Apesar de tão prevalente, muitas vezes a IC é confundida devido aos seus sintomas, que incluem sintomas falta de ar, cansaço, inchaço dos pés e pernas, e demora para ser diagnosticada, agravando o quadro dos acometidos. Entre seus fatores de risco principais estão: doença de Chagas, diabetes, hipertensão e dislipidemia.

Achados publicados no estudo BREATHE, revelam que pouco mais de 50% das pessoas com IC no Brasil recebem orientações sobre como tomar a medicação da forma correta, e somente 43,5% delas são orientadas sobre o reconhecimento da piora dos sintomas. Ainda sobre o tratamento, 50% não usam os medicamentos como prescrito. Esta baixa adesão leva ao aumento de custos com hospitalizações, assim como maior morbidade e mortalidade precoce.

Corroborando e complementando esses achados, os dados encontrados no atual registro internacional PINNACLE evidenciam uma lacuna no Brasil entre as recomendações baseadas em evidências e a prática de prescrição medicamentosa e de educação para os autocuidados dessas pessoas. Este espaço existente traz à tona a oportunidade para implementação de estratégias para melhorar a gestão do cuidado e os desfechos relacionados à IC. Além da necessidade de melhorar a gestão dessa condição, segundo o Dr. Mark Barone, coordenador geral do FórumDCNTs, “é fundamental investir em estratégias para prevenção da IC, em grande parte dos casos através de hábitos saudáveis e manejo adequado de condições crônicas como o diabetes”.

Dois dos pesquisadores que lideram o registro PINNACLE no Brasil, Dr. José Francisco Saraiva e Dr. Álvaro Avezum, e outros especialistas em insuficiência cardíaca e doenças cardiovasculares, se reunirão na sexta-feira, dia 8 de julho, para apresentar atualizações dos estudo sobre IC e planejar estratégias para melhorar sua atenção no Brasil. A reunião contará, ainda, com a presença do Ministério da Saúde, apresentando o novo programa nacional para financiamento do tratamento de doenças cardiovasculares, o QualiSUS-Cardio.


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